Quem tem Hipotireoidismo pode tomar Lugol

Quem Tem Hipotireoidismo Pode Tomar Lugol? Análise de Segurança e Riscos

A pergunta se quem tem hipotireoidismo pode tomar lugol é uma das mais perigosas do mundo da suplementação atual. A resposta curta e direta, apoiada pela maior parte da comunidade científica e pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, é: geralmente não.

Existe um grande mal-entendido na internet sugerindo que todo problema de tireoide é causado por falta de iodo e que, portanto, dar mais iodo resolveria. Essa lógica, infelizmente, ignora a biologia moderna das doenças tireoidianas.

Nesta análise, explicamos por que o Lugol pode ser como jogar gasolina no fogo para a maioria dos pacientes com hipotireoidismo e em quais raras exceções ele poderia ser considerado.

O Grande Erro: Confundir Causa com Consequência

Para saber se você pode tomar Lugol, você precisa saber a causa do seu hipotireoidismo. No passado, a falta de iodo na dieta era a principal causa de bócio e tireoide lenta. Hoje, com a iodação do sal de cozinha, a deficiência grave de iodo se tornou rara na maioria das populações urbanas.

Atualmente, cerca de 90% dos casos de hipotireoidismo são causados pela Tireoidite de Hashimoto. Esta é uma doença autoimune, onde o seu próprio sistema imunológico ataca a glândula tireoide.

Aqui mora o perigo: na Tireoidite de Hashimoto, o problema não é a falta de matéria-prima, que seria o iodo, mas sim a destruição da fábrica, que é a glândula, pelos anticorpos. Dar altas doses de iodo para uma tireoide inflamada por autoimunidade pode piorar a inflamação drasticamente.

O Efeito Wolff-Chaikoff: Quando o Remédio Vira Veneno

Se você tem hipotireoidismo e decide tomar Lugol por conta própria, precisa conhecer o Efeito Wolff-Chaikoff. Este é um mecanismo de proteção da tireoide que foi descrito na literatura médica há décadas.

Quando a glândula recebe uma carga súbita e massiva de iodo, como a presente em uma única gota de Lugol, ela entra em choque. Para evitar produzir hormônios em excesso que poderiam causar problemas cardíacos, a tireoide se desliga temporariamente.

Para quem já tem a tireoide lenta, esse desligamento aprofunda o hipotireoidismo. O TSH dispara, a fadiga aumenta e o metabolismo trava de vez. Ou seja, em vez de estimular a glândula, o excesso de iodo a bloqueia.

O Perigo de Aumentar a Autoimunidade

Além de bloquear a função hormonal, o iodo em excesso é altamente oxidativo. Em pacientes com Hashimoto, as células da tireoide já estão sob estresse oxidativo severo.

Introduzir Lugol nesse cenário aumenta a produção de peróxido de hidrogênio dentro das células foliculares. Isso torna a glândula mais visível para o sistema imune, aumentando a produção de anticorpos anti-TPO e anti-tireoglobulina.

Em termos práticos, isso significa acelerar a destruição da sua tireoide. Muitos pacientes relatam que, após iniciarem o Lugol, seus anticorpos dispararam nos exames de sangue, indicando um agravamento da doença autoimune.

A Exceção Rara: Deficiência Real de Iodo

Então, quem tem hipotireoidismo pode tomar lugol em algum cenário? A única situação teórica onde isso seria benéfico é se, e somente se, o hipotireoidismo for comprovadamente causado por deficiência nutricional de iodo, conhecido como bócio endêmico.

Isso é verificado através de um exame específico de iodo na urina de 24 horas, e não por achismos. Mesmo nesses casos, a reposição geralmente é feita com doses fisiológicas muito baixas e não com doses farmacológicas massivas encontradas no Lugol.

Veredito Técnico

Se você trata hipotireoidismo com Levotiroxina (como Puran, Euthyrox ou Synthroid), o uso de Lugol é contraindicado na vasta maioria dos casos. Ele compete com a medicação, confunde seus exames e pode precipitar crises autoimunes.

O Lugol é uma ferramenta excelente para antissepsia ou para preparar pacientes com hipertireoidismo grave para cirurgia, mas não é um tônico seguro para quem sofre de tireoide lenta por Hashimoto.

A melhor decisão é manter sua medicação prescrita e focar em nutrientes que modulam a imunidade sem agredir a glândula, como o Selênio, Zinco e Vitamina D, sempre sob olhar atento do seu médico.

Este artigo ajudou a esclarecer os riscos? Se você busca entender mais sobre como cuidar da tireoide com segurança, continue acompanhando nossas análises.

Aviso de Transparência: Este artigo baseia-se em diretrizes endocrinológicas e fisiologia da tireoide. O uso de iodo em doenças tireoidianas sem supervisão médica pode causar danos irreversíveis. Consulte sempre seu endocrinologista.

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